domingo, 10 de janeiro de 2010

Televisão de poucos valores

Impossível se falar, atualmente, de inversão de valores sem mencionar os famigerados e intrépidos meios de comunicação. Talvez o mais importante deles, ou pelo menos o mais popular, presente em quase todos os lares brasileiros - a TV - seja o principal fomentador dessa inversão de princípios que vivenciamos. Palco de discussões – em programas mais específicos - acerca de seu poder de informar e até de manipular, a televisão mesmo pensando sobre si mesma, consegue transformar o sofrimento e os assuntos mais banais em puro espetáculo.
Em se tratando da força que a imagem exerce sobre o telespectador, a TV se vale de tal capacidade, a ponto de valorizar, mesmo que por meio de obras de ficção, como novelas, os desvios de conduta ou as futilidades advindas da pós-modernidade - um desserviço que a TV presta, quando incentiva o jovem a valorizar o bem material em detrimento de outros valores mais significativos, do ponto de vista da formação humana. Ter o melhor carro, os amigos mais descolados, ou a capacidade de desafiar a própria autoridade do pai em casa, são situações apresentadas em vários momentos na telinha.
Podem até argumentar que por se tratar, em alguns casos, de obras de ficção essas produções não ofereçam risco. No entanto, para parte da população que mal consegue ler ou escrever, ou até mesmo para aqueles que não tiveram a família como base da formação isso pode ser desastroso. A bem da verdade, o homem desprovido de visão crítica é forte candidato a reproduzir certas situações ou momentos passados na telinha - por desejo de consumo, simpatia com algum personagem ou ator, e, até mesmo, por gostar do penteado desse ou daquele apresentador.
Diante da importância conferida à fantástica “caixinha iluminada”, os outros meios de comunicação - resguardado aqui o valor da Internet - podem seduzir menos e, por conseguinte, ter menos "culpabilidade" quando da interpretação dos receptores. Ademais, inversão de valores pode ser algo relativo, já que fatores como nível cultural, social e político têm influência direta para a interpretação de cada indivíduo. Por ser mais difícil modificar essas variáveis, eis uma boa oportunidade para a televisão rever os seus conteúdos e contribuir, de alguma forma, para a edificação dos princípios morais, éticos e humanos.

Um comentário:

RCEM disse...

Tens toda razão meu amigo...
A televisão aliena, desune, deseduca, transforma. Cabe a nós comunicadores debatermos o assunto para que soluções possam ser encontradas. Continue postando viu... some não!
Abraço!